Jumento vendido por R$ 10 no Ceará vira produto de R$ 1.500 na China
Símbolo de resistência no semiárido nordestino, o jumento vendido informalmente no Ceará por valores entre R$ 1 e R$ 10 pode ter a pele comercializada por até R$ 1.500 na China, onde o material é utilizado na produção de cosméticos e medicamentos da indústria do ejiao. Apesar do mercado milionário movimentado no exterior, especialistas alertam que a atividade não representa uma alternativa sustentável para o agronegócio cearense. Pelo contrário: além do risco de extinção da espécie, a prática também preocupa pelas condições informais do comércio e pela falta de rastreabilidade sanitária. Na última quarta-feira (20), a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa aprovou uma sugestão legislativa que propõe proibir o abate de jumentos em todo o Brasil. A proposta agora seguirá como projeto de lei no Senado. Segundo especialistas, a reprodução lenta dos jumentos torna impossível atender à alta demanda internacional sem comprometer a sobrevivência da espécie. Enquanto a indústria chinesa necessita de milhões de peles por ano, a gestação das fêmeas dura cerca de 13 meses e normalmente resulta em apenas um filhote por vez. O avanço do comércio tem gerado preocupação entre defensores dos animais e representantes do agro, que alertam para impactos ambientais, sanitários e econômicos causados pela atividade.